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BOLETIM DO AHJB - 39
MAIO 2008 - Nº 39

ÍNDICE
EDITORIAL

• CARO LEITOR
NOTÍCIAS

• AGENDA DO AHJB
• EXPOSIÇÃO SOBRE O MUNDO ÍDICHE
• FUNDO RABINO FRITZ PINKUSS
• UM ROMANCE DA IMIGRAÇÃO
• VOCÊ SE LEMBRA DO JONAS?
• VOCÊ SABIA?
BIBLIOTECA

• RELAÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS DAS COMUNIDADES SEFARDITAS PORTUGUESAS

EDITORIAL

CARO LEITOR
SEMA PETRAGNANI, editora

Estamos convencidos de que devemos dar continuidade a um boletim rico de informações e de interesse abrangente, tanto que aumentamos o número de suas páginas e seguimos com sua divulgação para a comunidade e para os interessados em geral, procurando ampliar a quantidade e freqüência de consulentes do AHJB . Desejamos e precisamos contar também, e sempre mais, com o público que nos acompanhou até agora, interessado na história da imigração dos judeus e de seus descendentes no Brasil. Grande parte de nossos colaboradores e um bom número de consulentes são autores notórios da historiografia nacional e internacional, o que muito nos motiva. O AHJB tem um rico acervo de documentos, teses, depoimentos de História Oral, relatos e testemunhos, fotos, cartas, livros, jornais, revistas e outros. Tudo isso está devidamente separado em núcleos e todo esse material, de excelente qualidade, é enriquecido regularmente por novas doações. Um brilhante exemplo disso é a doação oferecida, em março passado, por Michael e Anita Pinkus: o acervo do Prof. Dr. Rabino Fritz Pinkuss, uma das figuras mais importantes do judaísmo brasileiro. O acervo doado ao AHJB estará em breve disponível para consulta em nosso Núcleo de Documentos, aberto a pesquisa, estudos e também a visitas guiadas; mas, enquanto isso, os leitores encontrarão, na p . 27, na seção Documenta deste Boletim, a transcrição de um importantíssimo pronunciamento feito pelo Rabino Pinkuss na Alemanha, em 1988, a respeito da Kristallnacht. Suas palavras demonstram a clareza e contundência de sua visão sobre a condição humana. Para finalizar, ressaltamos – e o leitor provavelmente está ciente disso – que este Boletim é fruto de árduo e contínuo trabalho. Surgiu em 1996, com apenas duas páginas, mas já em plena consciência de seu objetivo precípuo: levar ao público a riqueza dos acervos do Arquivo, para estimular de um modo geral, alunos, professores, estudiosos e pesquisadores a explorá-lo. A continuação deste trabalho será tão mais promissora quanto maior for a participação de nossos leitores e consulentes. Assim, não hesitem: enviem-nos suas cartas e e-mails com perguntas e sugestões, pois a interação é fundamental para que nossa publicação se mantenha viva e cada vez mais vigorosa. Boa leitura!topo

NOTÍCIAS

AGENDA DO AHJB
O AHJB tem cinco projetos para realizar no período 2008-2009: a publicação dos livros Orações além mar, de Anat Falbel; Teatro ídiche do Brasil, de Nachman Falbel, e Peter Scheier, do fotógrafo homônimo. Além desses livros, há outros projetos, como um catálogo documental e também a manutenção do arquivo e modernização da biblioteca. Todos esses projetos têm autorização do Ministério da Cultura para a captação de recursos por meio da Lei Rouanet.topo

NOTÍCIAS

EXPOSIÇÃO SOBRE O MUNDO ÍDICHE
A cultura ídiche foi desenvolvida pelos judeus da Europa Central e Oriental a partir do século X. Começou com um idioma composto por uma mistura de palavras germânicas e eslavas sobre uma base hebraica, escrito em caracteres hebraicos. Tornou-se uma língua de cultura, com ilustres manifestações, teatrais e literárias. O escritor Isaac Bashevis Singer (1902-1991) recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1978. No Brasil, Adolfo Kischinevsky, autor de Neie Heimen, publicado em 1932, é o marco inicial da literatura ídiche. Num trabalho conjunto entre o AHJB e o CCJ para recuperar a memória ídiche, foi inaugurada, em 14 de abril, uma exposição com livros, fotografias e documentos pertencentes ao AHJB .topo

NOTÍCIAS

FUNDO RABINO FRITZ PINKUSS
Em 18 de março de 2007, Michel e Anita Pinkuss doaram ao AHJB o acervo do Rabino Fritz Pinkuss, composto de diplomas, medalhas honoríficas (uma delas é a mítica Cruz de Ferro, condecoração alemã por atos de bravura, recebida pelo pai do rabino na I Guerra Mundial), livros, apontamentos pessoais para prédicas, prédicas, documentos religiosos (como reconversões de pessoas batizadas para fins de imigração) e correspondência rabínica. Será um fundo imprescindível para os historiadores que estudarem a migração judaicoalemã para São Paulo provocada pelo nazismo, pois o Rabino Pinkuss foi o personagem mais importante nesse episódio.topo

NOTÍCIAS

UM ROMANCE DA IMIGRAÇÃO
Desde o começo de março, está nas livrarias um romance que fala da imigração judaica. Trata-se de Judite no país do futuro (Rio de Janeiro: Record, 2008), 317 páginas, de Adriana Armony (RJ , 1969). O primeiro livro publicado pela autora, A fome de Nelson (Rodrigues), transformou a vida do teatrólogo carioca em boa ficção. Nesse segundo romance, Armony mantém sua característica autoral: os personagens são inicialmente de carne e osso; a avó da autora e o tio de Amós Oz, Stefan Zweig; mas tornam-se personagens literários, sem que a imaginação da autora prescinda de uma sólida pesquisa histórica, feita, inclusive, no AHJB (p. 315). Com esses e outros personagens, ela enriquece a história da imigração judaica, recuperando muitos sentimentos que estavam escondidos em velhos documentos. editorial 02topo

NOTÍCIAS

VOCÊ SE LEMBRA DO JONAS?
Israel teve de se defender várias vezes. Uma dessas ocasiões foi a Guerra dos Seis Dias (1967), quando lutou contra uma frente árabe formada por Egito, Jordânia e Síria. Centenas de soldados morreram em conflito, foram trezentos os jovens que perderam a vida. Um deles era o brasileiro Jonas Sverner (1948-1967), paulista de nascimento, agricultor no Kibutz Bror Chail, que na Batalha de Rafiah, em Gaza, morreu ao ter seu tanque explodido em combate. Está sepultado no cemitério Militar de Be’eri. Hoje ele teria 60 anos.topo

NOTÍCIAS

VOCÊ SABIA?
No final da década de sessenta viveu e atuou em São Paulo um cantor negro chamado Benny Yanga, judeu de origem afroasiática. O AHJB possui dois compactos gravados por ele com arranjos do maestro Gomes Costa. Um desses discos traz as faixas John Kennedy, um fox, e The city of Jerusalem, descrita como uma “canção oriental em hebraico”, ambas da autoria de Benny Yanga. Nossa discoteca é formada por um enorme repertório de música judaica de todas as origens e também por discursos, de autoridades israelenses e até de bar mitzva.topo

BIBLIOTECA

RELAÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS DAS COMUNIDADES SEFARDITAS PORTUGUESAS
Florbela Veiga Frade

O presente texto resulta duma reflexão sobre a minha tese de doutoramento intitulada As Relações Económicas e Sociais das Comunidades Sefarditas Portuguesas. O Trato e a Família (1532-1632), apresentada à Universidade de Lisboa em Janeiro de 2006 e entregue cerca dum ano antes*. Quando ainda esperava defender a tese, contactei Paulo Valadares, que sabia ter estudado a genealogia dum dos rabinos sefarditas mais desconhecidos e porque me intriga(va) a descendência de Abraão Sénior ou Fernão Peres Coronel. Depois de várias mensagens e de ter defendido a tese de doutoramento a que foi atribuída a nota máxima, Paulo Valadares, amavelmente, propôs-me a divulgação do meu trabalho num artigo a publicar no Brasil.

Antes de mais, gostaria de referir que durante o mestrado tive de interromper um seminário sobre Inquisição para ir aos Países Baixos com uma bolsa de estudo. Mas essa interrupção levou-me a interessar ainda mais sobre a temática judaica e cristã-nova portuguesa. Na Universidade de Leiden e nas bibliotecas holandesas, encontrei diversos livros sobre esses temas, coisa que não tinha visto no meu país. Recolhi então alguma bibliografia e materiais que depois utilizei para os meus estudos de doutoramento, pois resolvi pesquisar o que existia em Portugal sobre o assunto.

Escolhi como tema as comunidades sefarditas e como se relacionam entre si, aprofundando o estudo de algumas famílias, a sua inserção na comunidade, as especificidades de cada uma e a acção que se estende ao mundo conhecido da Idade Moderna. Uma das críticas feitas à minha tese foi ao título dado, e que é o mesmo deste artigo, na medida em que considerei as cidades de Lisboa, Porto, Antuérpia, Amesterdão e outras como possuindo comunidades sefarditas numa altura e em locais em que oficialmente não existiam judeus seja em Portugal, na Flandres ou outras regiões.

O termo “cristão-novo” é usualmente aceite pela comunidade científica, no entanto, este conceito nunca me agradou; tal como o de “marrano” que, simplesmente, não utilizo. De acordo com as definições normalmente aceites, cristão-novo é aquele que foi baptizado e pode ser ou não judaizante e criptojudeu. Contudo, dizer-se que alguém é cristão-novo implica, necessariamente, rotulá-lo como um neófito que aceita Cristo como seu Messias. Olhando para as histórias dos cristãos-novos portugueses presos pelo Santo Ofício, chega-se à conclusão que de facto existiam crentes no Cristianismo, mas também é verdade que muitos outros não aceitavam Cristo como Messias e tinham práticas ditas judaizantes.topo




Boletim: 
  • Introdução
  • Boletins 1 a 34 - Assuntos
  • online
    Boletins publicados: 
  • BOLETIM DO AHJB - 40
  • BOLETIM DO AHJB - 39


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